Leitura de rótulos: este artigo não fala de calorias!
- Rita C. Garcia
- 22 de jan.
- 3 min de leitura

Sei que muitos colegas meus nutricionistas falam sobre leitura de rótulos e, como sabem, não costumo seguir muito as tendências nos meus artigos.
Hoje não venho falar de calorias ou de "quais os nomes dos açúcares" que podes encontrar nos rótulos, mas sim sobre intolerâncias alimentares e alergias.
Não sei se será a lei da atração ou não (visto que sou doente celíaca), a verdade é que tenho muitos pacientes com intolerâncias, alergias alimentares, problemas gástricos e problemas intestinais.
Quando as pessoas têm alergias desde pequenas (desde bebés ou infância), aprendem com os pais e com os profissionais de saúde a olhar para todos os pormenores! Os pediatras e os pais ensinam afincadamente a não comer nada sem saber exatamente o que contém, para que não haja uma reação anafilática que pode mesmo levar à morte. Sabem que, quando vão a um restaurante, têm que perguntar se o prato que querem comer tem algum ingrediente que possa fazer mal e sabem que têm de ler todos os rótulos para conseguirem evitar ao máximo uma reação alérgica.
No entanto, quando estas intolerâncias e alergias surgem mais tarde na vida da pessoa, nem sempre é fácil o paciente interiorizar a importância de perguntar e ler sobre tudo. Essencialmente, porque muitas vezes têm vergonha de dizer que têm problemas de saúde ou vergonha de perguntar aos familiares, amigos e em restaurantes, o que é que o prato/sobremesa contém, pois não podem comer.
Muitas vezes a primeira reação é: "Mas doutora, sempre comi de tudo e nunca fez nada. Porque é que agora me faz mal?!". Por vezes há uma certa rejeição desta condição de saúde, pois existem dúvidas sobre a razão pelas quais estas intolerâncias/alergias podem surgir.
Pode haver inúmeras razões para estes problemas de saúde aparecerem mais tarde na nossa vida: episódios de stress e/ou ansiedade, uma infeção gastrointestinal, um subdiagnóstico, etc.
Uma das intolerâncias mais conhecidas e que geralmente surge já na idade adulta é a intolerância à lactose. Na maioria dos casos, não existe expressão genética do gene da lactase e, por isso, a pessoa não consegue digerir alimentos com lactose, levando a sintomas como azia, inchaço, gases e diarreias (por vezes severas).
Por isso, nestes casos é extremamente importante aprender a ler rótulos e procurar por ingredientes que nos possam desencadear sintomas.
Pegando no exemplo da intolerância à lactose, em primeiro lugar, devemos olhar para as "letras grandes" que dizem "isento de lactose" ou "sem lactose" ou "vegan" (visto que os produtos vegan não contêm produtos animais, como o leite). Se não houver menções no rótulo, vamos olhar para a lista de ingredientes. Na lista de ingredientes, os alergénios têm que estar com letras a negrito (neste caso o leite) ou dizer "contém leite" ou "pode conter vestígios de leite". Em último caso ou em caso de dúvida, tratando-se a lactose de um carboidrato, se quisermos saber se um queijo é isento de lactose, olhamos para a tabela nutricional e os carboidratos têm que estar a zero ou <0,1.
Outro ingrediente que costuma causar inchaço para a maioria das pessoas são os adoçantes à base de álcool ou alguns adoçantes artificiais. Estes adoçantes costumam estar presentes nas pastilhas sem açúcar ou nas "pastilhas" que colocamos no café. Além do inchaço abdominal pela má absorção intestinal dos mesmos, muitas vezes os adoçantes contêm alto teor de sódio, que é um dos principais causadores de retenção de líquidos e má circulação.
Assim sendo, olhar para um rótulo e apenas olhar para as calorias é a mesma coisa que avaliar um livro só pela capa. Só sabemos verdadeiramente o seu conteúdo se olharmos com cuidado e atenção. Uma alimentação saudável não se resume apenas às calorias, especialmente quando se trata de alergias e intolerâncias alimentates ou problemas gastrointestinais.
Um abraço,
Rita C. Garcia
Nutricionista 2862N




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