Comer por tédio: o passatempo mais comum da humanidade, depois do scroll nas redes sociais
- Rita C. Garcia
- 12 de fev.
- 3 min de leitura

Quem de nós aguenta estar numa fila à espera de algo sem pegar no telemóvel para verificar se temos alguma mensagem ou simplesmente deslizar pelas redes sociais?
Vivemos rodeados de estímulos diariamente: redes sociais, televisão, jogos (no telemóvel, computador ou consolas) ou plataformas de vídeos e streamings!
E que relação pode ter isto com a nutrição e com a forma como nos alimentamos?
As redes sociais e certas aplicações (como aplicações de encomenda de comida) têm a capacidade de ativar no nosso cérebro o sistema de recompensa, ou seja, estimulam comportmentos para obter satisfação e bem-estar imediados! É a surpresa de algo novo a surgir e a alegria de postar um story ou uma publicação nas redes sociais com imensas visualizações, likes e comentários...
Esta euforia é da responsabilidade de um neurotransmissor: a dopamina!
Este neurotransmissor é crucial para regular o prazer, a motivação, o movimento, a atenção, a aprendizagem e o humor, mas também é vital para funções cognitivas e motoras, influenciando o foco, a memória e o controlo dos movimentos.
Contudo, em excesso, a dopamina pode estar associada a comportamentos viciantes relacionados com comida, drogas, álcool e sexo.
Como é que a forma como vivemos hoje em dia influencia a forma como nos alimentamos?
Não sabemos lidar com o aborrecimento! Não sabemos estar "sem fazer nada"!
Vamos pensar... Aquele domingo à tarde, chuva lá fora e nada de novo acontece...
Começamos a sentir uma desmotivação vinda do nada! Um cansaço... parece que não conseguimos concontrar-nos em nada... Começa a ansiedade, um estado de desânimo e alterações de humor...
E é aqui que tudo começa... Vamos buscar todo o tipo de snacks e petiscos: especialmente os crocantes e ricos em carbohidratos... bolachas, batatas fritas de pacote, biscoitos, pipocas, etc.
Não é fome! É sim a busca pela sensação de recompensa e bem-estar provocada pela dopamina. Este tipo de alimentos provocam aqueles segundos de prazer instantâneo e imediato, especialmente se forem ricos em açúcar (como as bolachas, gomas ou chocolates)! E tal como qualquer vício, quanto mais comemos, mais queremos, mas a sensação de vazio continua!
O que tenho verificado nas consultas é que estes momentos são muitas vezes os responsáveis pelo aumento de peso "repentino", pois nestas situações perdemos completamente o controlo das calorias que estamos a comer. É como se a sensação de fome e de saciedade que nos diz para parar não acontece, porque na verdade não existe apetite! É como se o cérebro e o estômago deixassem de comunicar entre si e o estômago não conseguisse dizer "já chega". Isto pode durar 10 minutos, 1 hora ou uma tarde inteira! E pode acontecer pontualmente ou durante vários dias. E, assim, pode ser responsável pelo aumento de 2kg, 5kg ou 10kg num abrir e fechar de olhos.
Então qual é a solução?
Todos nós precisamos de facto de dopamina e ela é essencial para sermos felizes. Só temos de a estimular da forma certa! Estas são algumas formas de apoiar os níveis saudáveis de dopamina:
Praticar exercício físico
Meditar
Ouvir música
Ter uma alimentação rica em tirosina (carnes, ovos, peixe, legumes)
Garantir um sono de qualidade
Às vezes o que muda a tua vida não é um grande acontecimento, mas sim uma pequena decisão.
Mudar um pequeno hábito.
Sair de casa.
Definir um limite e cumpri-lo.
Não te vais sentir diferente de imediato, mas com o tempo essas pequenas mudanças vão fazer toda a diferença, não só no teu bem-estar, mas também no teu peso.
Um abraço,
Rita C. Garcia
Nutricionista 2862N
